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É difícil encontrar quem dispense uma boquinha livre, não é mesmo? E sabe onde você pode encher a barriga com comida de qualidade sem precisar pagar um centavo por isso?

Nas lixeiras de sua cidade!

E não estamos de sacanagem, essa constatação foi feita por Rob Greenfield, um ativista estadunidense que chocou o mundo todo ao escancarar o quão absurdo é o nosso desperdício de comida.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/freedom/7-2/

Greenfield já havia recebido destaque da grande mídia quando, em 2013, ficou um ano consumindo água apenas de fontes naturais ou de fontes desperdiçadas, como vazamentos, por exemplo, como forma de promover a sustentabilidade e uma vida eco-friendy.

Até para seus banhos, Rob, na época com 26 anos, seguia a regra à risca, o que acabou sendo o “slogan” dessa iniciativa que foi divulgada pela imprensa como o cara que ficou “um ano sem tomar banho”. Inclusive falamos de toda essa história neste artigo aqui.

Porém, um ano depois, Greenfield conseguiu novamente chamar a atenção do mundo, agora para o nosso vergonhoso desperdício de alimentos.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/freedom/7-2/

Rango de qualidade na Lixeira

Em 2014, Rob iniciou o projeto que recebeu o nome de “The Food Waste Fiasco(“O Fracasso Desperdício de Comida). A iniciativa teve como objetivo alertar os estadunidenses, bem como o mundo todo, o quanto desperdiçamos alimentos que podem matar a fome de milhares de pessoas.

Só para termos uma pequena noção, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a quantidade de alimentos desperdiçados na America Latina e Caribe dariam para alimentar cerca de 30 milhões de pessoas.

Já nos Estados Unidos, de acordo com uma recente pesquisa divulgada pelo The Guardian, metade de todos os alimentos produzidos vão para o lixo.

— continua após o vídeo —

Para ilustrar esse comportamento e o impacto que causa no ecossistema (já que muitos recursos naturais estão sendo gastos para a produção desses alimentos descartados), o ativista decidiu ir da Califórnia à Nova Iorque de bicicleta, sem um tostão no bolso e alimentando-se apenas do que encontrasse nas lixeiras das cidades por onde passava.

Foram quase 5 mil quilômetros percorridos, fazendo refeições exclusivamente do que encontrava nas lixeiras. De acordo com o relato publicado no site do ativista, ele comeu tão bem, que mesmo após os esforços e todas as calorias que ele perdia durante as pedaladas, chegou a engordar 2 quilos durante o experimento.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/foodwaste/

Em 7 horas de busca nas lixeiras de Cleaveland, Ohio, essa foi a quantidade encontrada de comida em perfeitas condições de consumo.

A “lixeira restaurante”

Rob disse que durante sua viagem diversas as pessoas ficavam chocadas ao vê-lo mergulhar nas lixeiras atrás de alimentos, mas um choque maior vinha quando revelava o verdadeiro “banquete” que estava prestes a ir para o lixo.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/foodwaste/

Voluntários que ajudaram Rob a encontrar essa quantidade de alimentos nas lixeiras de Chicago, Illinois.

Em apenas em algumas horas de busca, era possível encontrar comida boa, própria para consumo, para mais de 100 pessoas!

Em toda sua viagem, que durou cerca de 1 mês, foram mais de 10 mil dólares em alimentos encontrados e posteriormente doados às pessoas necessitadas das regiões por onde ele passava.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/foodwaste/

Dois dias vasculhando as lixeiras da cidade de Madson, em Wiscousin resultaram nesse montande de alimentos.

Aos poucos, as imagens com a quantidade bizarra de alimentos que iria para o lixo, boa parte deles encontrados em lixeiras de supermercados e lanchonetes, começaram a se espalhar pela internet.

Em pouco tempo a hashtag #DonateNotDump (“Doe Não Desperdice”), ganhou força e alguns voluntários começaram a aparecer, ajudando Greenfield nessa “caça por comida”, na luta contra a fome e o desperdício.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/foodwaste/

Voluntários após uma noite de “caça à alimentos’ nas lixeiras de Manhatan.

Por que jogar tanta comida fora?

De acordo com o ativista, a maior desculpa das grandes empresas para é o temor pela responsabilidade por trás da doação: “se nós doarmos e as pessoas passarem mal, a culpa será da empresa, então melhor ir para o lixo“.

Isso revela a visão mesquinha que temos hoje, onde deixar cerca de 815 milhões de pessoas no mundo todo passando fome é preferível do que assumirmos a responsabilidade.

Apesar dessa preocupação dos empresários, um estudo desenvolvido pela Universidade de Arkansas comprovou que nunca houve nenhum tipo de processo contra empresas, supermecados, etc., que tenham doado alimentos para algum tipo de programa ou instituição. E pelo menos nos Estados Unidos as empresas são protegidas por uma lei para garantir que esse tipo de problema não acontecerá.

Aqui no Brasil, um projeto de lei chamado “Bom Samaritano” também tem o objetivo de isentar as instituições de qualquer responsabilidade após a doação, mas parece que essa história vai longe. O projeto está tramitando desde 1998, há quase 20 anos. E tem deputado preocupado em proibir o funk, é mole?

De acordo com a Agência Brasil, existem quase 30 projetos de Lei tramitando na Câmara com objetivo de por fim ao desperdício através da doação de alimentos.

Rob Greenfield, http://robgreenfield.tv/foodwaste/

Comida

Faça sua parte!

Apesar das grandes redes de supermercados, restaurantes e lanchonetes ainda estarem receosos, com exceção de pequenas iniciativas, você pode fazer a sua parte.

Repense o seu modo de consumir alimentos, evite o excesso e sempre que for possível, doe. Há alguns projetos que podem te ajudar a diminuir o consumo desenfreado e consecutivamente o desperdício, como é o caso do projeto “Fruta Imperfeita“, que revende alimentos que seriam descartados.

Se você ainda não está convencido sobre a gravidade do desperdício de alimentos, Rob Greenfield recomenda que dê um passeio pelas lixeiras, principalmente perto de supermercados e restaurantes.

 

O Ativista contou toda a sua história em uma de suas palestras, promovida pelo TEDx Talks. Veja abaixo o relato completo (em inglês, mas com legenda em português):

 

Texto (e imagens) originalmente publicado no Almanaque SOS.